terça-feira, 29 de maio de 2012

SAUDAÇÃO AOS AFILHADOS DA ANE


SAUDAÇÃO AOS AFILHADOS DA ACADEMIA NACIONAL DE ECONOMIA - ANE

Excelentíssimo Senhor Presidente da Mesa Cerimonial
Dr. Antônio Carlos Caldas
MD. Presidente da ANE
Em nome do qual cumprimento todos os membros da mesa e desta Magna Assembléia.
Excelentíssimos Senhores Confrades deste Sodalício Casa.
Minhas Senhoras e meus Senhores,

Este é o Brasil plural, o mosaico étnico e cultural das raças que aqui aportaram nos séculos passados. O Eu e o Outro na convivência e na descoberta do Existir, porque o sentir uniu e une os diferentes a partir da memória muscular[1] que trasmuta séculos e anos luzes que separam a situação vigente da respectiva origem. Assim foi, assim é e assim será para todo sempre no Brasil.
No Brasil o tempo todo “Eu sinto logo Existo” está em sintonia com “Eu sinto o Outro, eu danço o Outro, então eu sou”.  Esta simbiose cultural e racial que neste país se vive faz dele a marca indelével nas memórias que retratam a formação do povo brasileiro. Esta é a marca mais importante de identificação entre os diferentes que faz do existencialismo do homem brasileiro o mais radiante e o mais contagiante sobre a face da terra.
A Academia, portanto, não é diferente desta convivência cultural e existencial. Aqui se aprende e se reafirma o compromisso de contribuir para desenvolver o pensar e o criar que são as bases sólidas do conhecimento.
Nessa ordem de idéia é que tributo a minha concordância às palavras do Acadêmico Celso Lafer que sublinhava em dado momento do seu discurso de Posse na Academia Brasileira de Ciências que “o congregar para o conhecer passava necessariamente pelo convívio acadêmico e que uma das notáveis características da Academia é a acepção ampla da convivência por ser uma instituição de conteúdo”. Nesta base, vejo a Academia com suas múltiplas definições e designações como congregação do saber na dimensão cultural e escolástica. Aqui se convivem idéias, e compromissos com os ideais do saber e do ser, porque tudo que move a vontade do saber e do ser encerra dentro de si a transcendência iluminada no sentido da dimensão sagrada e espiritual.
Ilustres Acadêmicos e confrades, minhas senhoras e meus senhores
É com honra e muita satisfação que me dirijo a esta Assembléia Magna de notáveis homens do saber para saudar os novos Membros Titulares Acadêmicos que foram indicados e eleitos que aqui e agora tomam posse.
Saúdo ainda, particularmente a todos os Confrades, imortais acadêmicos, figuras ilustres no cenário sócio-político e econômico brasileiro que se juntam aos talentos desta Magna Congregação trazendo as experiências de suas realizações intelectuais e profissionais para prestigiar e somar a esta instituição do saber e da cultura que é a Academia Nacional de Economia – ANE. Instituição fundada há 65 anos, com a finalidade de promover e estimular o desenvolvimento da investigação, em qualquer domínio do conhecimento, e que hoje se pode dizer que se inscreve na vanguarda das reflexões sobre temas sócio-econômicos considerados essenciais para atual conjuntura brasileira.

Senhor Presidente e demais membros que compõem a mesa, senhores acadêmicos, minhas senhoras e meus senhores eu passo neste momento a apresentar os meus afilhados e ora confrades para que possam junto aos membros da mesa cerimonial ser empossados.

Saudações Acadêmicas
O Acadêmico Mamadu Lamarana Bari
Titular da Cátedra nº 116


[1] a dança e a música.

O DIA DA ÁFRICA - Conferência na UFMT


A ÁFRICA[1]·: O fluxo e o Refluxo do Aprendizado, a interação de saberes na diáspora.
“O que o tempo não nos contemporizou aprender com os nossos antecipados migrados à sorte, mas que hoje vivemos aprendendo cá fora”.


Apesar de sugestivo o tema a sua complexidade recomenda um estudo mais aprofundado por se tratar de um assunto que ainda há para ser divulgado por ter a insegurança da vivência passada sido encarregada de apagar erradamente todo o registro dessa convivência com o receio do ranço que essa mistura da dor, da esperança e da luta pela sobrevivência possa permanecer como vestígios pesados na consciência de elites herdeiras desse passado e, tenebrosamente, marcadas nas memórias dos herdeiros daqueles que com suas mãos calejadas dos trabalhos braçais ajudaram a erguer este país rico em culturas afro-ameríndios e européia. Portanto, como pesquisadores, temos sobre os nossos ombros grandes responsabilidades de buscar o elo histórico que liga a África e o Brasil, não só pelos legados culturais que os nossos ancestrais africanos deixaram nas Américas, mas também pela forma como se processou o fluxo dos ensinamentos do passado e de sua retransmissão nos dias atuais pelos afro-descendentes.

Os primórdios dos séculos passados trouxeram recordações tristes para ambos os povos que formam a nação brasileira. Primeiro, os africanos por terem sidos arrancados a força de seus lares, levados para longe de seus entes queridos e deixados a sorte em terras distantes; segundo, os índios apesar de se encontrarem em seus habitat foram também perseguidos e abandonados a sorte quando as ações dos bandeirantes foram superadas pelas resistências de todas as ordens apresentadas por este povo nas florestas – resistência passiva. Terceiro e o último Os europeus apesar de terem sido deixados também a sorte para amargarem para sempre os seus desterros em terras desconhecidas conseguiram se tornar senhores e donos das atividades de negócios no Brasil colonial.

Como pode ser constatada a história no Brasil retrata-nos as diferentes formas do sofrimento dos povos que formam a base desta nação. Cada um a sua maneira teve sofrimento. Os africanos tiveram o sofrimento de escravização, os índios, sofreram por terem sido invadidos e isolados em seus próprios habitat e os europeus também sofreram o degredo imposto pela coroa portuguesa. Portanto, todos eles revoltados em suas essências poderiam fazer do Brasil um país de convivência mais difícil do planeta por congregar povos marcados pelo sofrimento no passado, todavia Deus quis que este país tropical se tornasse o mais dócil do mundo com o povo mais generoso e dócil do planeta. Jorge Benjor músico e compositor brasileiro tem razão e eu endosso as letras musicais dele que fala do Brasil ser “um pais tropical abençoado por Deus e bonito por natureza....”

Apesar de revoltas que imperavam entre índios e africanos ainda que guardadas as dimensões e proporcionalidades, a sorte reservara para o Brasil os legados que fizeram deste país o mais rico na face da terra sob o ponto de vista da arte e da cultura. Por isso quero pedir a atenção de todos que aqui em volta deste grande “Bantabá”[2] estão reunidos para afirmar que o Brasil é a vanguarda da cultura universal por congregar em sua nação descendências culturais provindas de povos de sabedorias milenares consolidadas no mediterrâneo a partir de culturas helênicas, africanas e asiáticas. Com base nestas constatações urge dizer que a história da formação do Brasil precisa também ser lida de trás para frente.

É nesta base, por se tratar de comemoração do dia da África e por se tratar de contar a história de forma não convencional que pretendo falar dos legados culturais entre a África e o Brasil, visivelmente marcados na dança, na musicalidade, na culinária e no modo de ser e de sentir a brasilidade. Mas antes é preciso falar da dimensão do continente africano na sua presença física e cultural e o que representou e ainda representa para a humanidade.

O continente africano tem cerca de 780 milhões de habitantes, dos quais 500 milhões vivem na África subsaariana. Essa população tem um crescimento populacional da ordem dos 2,5% ao ano.

A África Subsaariana (ASS) atualmente é formada de cerca de 47 países, dentro estes, cerca de 35 têm menos de 10 milhões de habitantes e cerca de 15 países são enclaves. Esta região da África representa, cerca de, 10% da população mundial. Entretanto, apesar de ser uma potencialidade em termos de recursos humanos e materiais, apenas contribui mundialmente com 1%.

A África é de uma riqueza de miscigenação de raças e de culturas tão grande que faz dela uma convergência de tradições e de saberes sem igual no mundo, portanto, ela é um grande celeiro de cultura. Não é por acaso que a Europa e a América abrigam, na atualidade, os grandes talentos culturais da áfrica na diáspora, sejam eles músicos, poetas, escritores etc.

A composição étnica na África é patente na diversidade de formas de cultura, música, arquitetura, religião, culinária e indumentárias usadas pelos diferentes povos do continente. A imensa maioria da sua população pertence à raça negra, mas são reconhecidos nesta região mais de 1.500 línguas e dialetos. Eis o mosaico lingüístico que opõe ainda hoje a formação da nação africana no sentido estrito do termo. Todavia essa limitação lingüística e cultural fez dos africanos uma aproximação por necessidade da interação entre os povos e não um afastamento pela dificuldade de fala. Dois grandes marcos culturais foram responsáveis por essa aproximação – a musicalidade e a dança.

A musicalidade africana toca a alma e a dança faz renascer a esperança de que o corpo obedece ao ritmo e, portanto o eu sente a existência, o singular caminha para a pluralidade. Eis a razão porque o cantor congolês Ray Lema define a dança na África como um compasso social. “É na toada que me embalo na multidão e é na cadência do ritmo dos passos que me identifico como um ser social em comunhão com os meus pares da comunidade”. Esse renascer do dia a dia, do nascer ao repouso do sol, faz do africano um ser pensador, não apenas em reverência aos Orixás, mas também um tenaz lutador contra predestinação quotidiana, ou seja, o que faço para que o dia não venha me culpar do descaso ao anoitecer. Então, o renascer do homem africano é um marco libertador das velhas idéias em favor de novas, sem, contudo, esquecer que o novo nasce do velho. Portanto, é nessa base que devemos entender o Renascimento na África.

O renascimento africano, podemos assim dizer deu o seu marco a partir dos ideais Panafricanista de N´Krumah e de Jomo Kenyatta, para estes e, sobretudo na visão de N´Krumah o PANAFRICANISMO é um movimento cultural que visa à igualdade de direitos e a melhoria das condições morais e intelectuais das populações submetidas ao colonialismo. Como diz o Presidente do Senegal Abdulaye Wade, que se intitula discípulo de N’Krumah, apesar do Pan-africanismo se caracterizar como união de todas as nações africanas, o principal obstáculo que o levou a não se concretizar foi a diversidade étnica nesse continente, em outras palavras, este movimento esbarrou na existência de várias "Áfricas", resultantes de sua própria história e de séculos de dominação.

Sobre esse problema o ex-Presidente Nkrumah já justificava o fracasso, "Alguns de nós são muçulmanos, outros cristãos; muitos adoram deuses tradicionais, que variam de tribo para tribo. Uns falam francês, outros inglês, outros português, além dos milhões que apenas conhecem uma língua africana das centenas que existem. Diferenciamos culturalmente, o que afetam a nossa maneira de ver as coisas e condiciona o nosso desenvolvimento político."

E também na mesma seqüência do tempo, o renascimento africano se fez presente a partir das mais vivas expressões do existencialismo africano nas vozes e mãos de Léon Damas, Aimé Cesaire e Leopoldo Sedar Senghor a partir do estudo e tema – A Negritude. Segundo Senghor a negritude é um conjunto de valores-econômicos e políticos, intelectuais, morais artísticos e sociais. Ela não diz respeito apenas aos povos da áfrica negra, mas também aos da diáspora. Ela é e pode ser definido também como “maneira de se exprimir do negro, características negras, o mundo negro, a civilização negra, etc”.

A partir dessas referências conceituais da existência do homem negro e da sua relação com o mundo é que devemos entender que o renascimento africano não aconteceu da mesma forma que o do europeu, mas guardam entre si alguns princípios tais como o respeito pela dignidade do ser humano e o ideal humanista. Por isso, guardadas as dividas proporções deve-se ter cuidados de associar os ideais renascentistas europeus com o modo de ser africano, sobretudo no que respeita os valores característicos do homem negro africano.
Ø O homem negro é essencialmente religioso e cultural, ritual e celebrante, porque para ele existe um ente supremo, o "sagrado", que é o verdadeiro real;
Ø  O homem negro é simbólico, porque o seu mundo é o mundo das imagens e do concreto; todas as realidades materiais, visíveis e imediatas são anunciadoras e portadoras de outras realidades;
Ø  O homem negro é o homem de coração, porque, para além do corpo, da força vital, da habilidade, do entendimento e de todas as outras qualidades humanas, é ainda pelo coração que o homem se define que o homem vale e é julgado; para usar a categoria de um provérbio africano: "o coração do homem é o seu rei".

Nesta base, para Senghor, o existencialismo africano está ligado ao movimento cultural de resgate/construção da identidade negra, buscando desvelar a alma negra cuja característica essencial é a emoção, conforme sublinha, "A emoção é negra, assim como a razão é helênica“
A emoção, como Senghor a define, é o que possibilita o elevar-se a um estágio superior de consciência. A emotividade é o elemento essencial e constitutivo do negro.

a razão negra se distingue da razão branca por que ela percorre as artérias das coisas para se 'alojar no coração vivo do real'. Por isso afirma que a razão européia é analítica por utilização e a razão negra, intuitiva por participação'
A partir dela Senghor constrói uma metafísica entre o eu e o outro. Trata a religião e demais elementos da cultura negra e particularmente o estilo negro-africano como fatos ligados a imagem e o ritmo.  

Com relação o pensar e o existir de Descartes que simboliza o homem em comunhão com a sua idéia (razão), Senghor pensando no campo sensorial do homem negro-africano afirma que o negro não vê o objeto, mas o sente, ele precisamente quer fazer entender que a partir do outro ele se identifica, ele se conhece. “Eu sinto o Outro, eu danço o Outro, então eu sou.” É unânime nos pensadores africanos o sentimento de que a dança é expressão do homem com relação ao seu existir no ambiente que o cerca, portanto ela é um ato da cultura. Dançar é recriar, e ela nasce do compasso social. É por isso que ela é o melhor modo de conhecimento." Quanto à razão negra e à branca, Senghor destaca que o negro é um homem da natureza, vivendo tradicionalmente da terra e pela terra, no cosmos e pelo cosmos.
O Prof. Ocuni Cá ( 2008) na sua abordagem sobre a prática cultural e o processo de ensino-aprendizagem (educação pré-colonial 1471) fala do desse existir negro a partir da sua memória muscular, ou seja, a dança. Através desta memória que os dançarinos trasmutam séculos, anos luz que separam a situação vigente da respectiva origem. Segundo Ocuni Cá, esta memória exercida nas festas provocam a mobilização geral do grupo que segue as regras prescritas.
                                             
                      “ Os ritos e as regras  que regem uma  esta que nem sempe é sagrado, mas
                      há aqueles que  são sagrados, estes não permitem a realização  
                      inescrupolosa dos ritos,  pois neles os homens atingem o mundo ser”.
                                                                                         (Ocuni Cá, 2008)      

Portanto, a ponte cultural e étnica entre a África e as Américas, mais precisamente o Brasil, já há muito que estava construída, mas precisava ser posta ao serviço do intercâmbio cultural, religioso, e lingüístico. Este marco, no meu entendimento está sendo evidenciado no governo do Presidente Lula. E ele foi registrado no dia 25 de maio, o dia da África, com o lançamento do selo comemorativo da Capoeira do Brasil, uma das vivas expressões culturais que mostra o Brasil e a África se interagindo constantemente, na dança e no gingado, ou seja, o jeito de ser brasileiro contaminado por esta expressão cultural originariamente africana.
Na abertura dos preparativos do Festival Mundial de Artes Negras 2009 (FESMAN) em Salvador, a maior cidade africana na diáspora, cuja égide terá lugar em Dakar-Senegal, a cidade cultural da África Ocidental de 1 a 14 de dezembro de 2009, foram apresentadas manifestações culturais que sem sombra de dúvida deixaram bem visíveis esses encontros e reencontros marcados no canto, na dança reverenciando os ancestrais e pedindo caminho (passagem) para a luta e sobrevivência do dia a dia. Estes são os legados que o Presidente Luiz Inácio da Silva fez questão de salientar no seu discurso de saudação a esse reencontro em Salvador anunciando o refluxo do aprendizado do Brasil para as terras africanas. Em certa altura o Presidente Lula salientou que o jeito do ser Brasileiro (alegre, expansivo, lutador, e esperançoso na vitória mesmo em momentos da dor e do sofrimento) deve-se a herança recebida dos ancestrais africanos que um dia partiram da porta de “nunca mais[3], rumo ao desconhecido. Mas mesmo assim levando com eles a esperança de que um dia haverá o retorno.

Portanto, estas manifestações culturais de África passada nas Américas é o fluxo dos ensinamentos levados as terras brasileiras e, o retorno desses ensinamentos através das manifestações culturais genuinamente afro-brasileiras que presenciamos nos meios de comunicações televisionadas e transmitidas através de rádio é o refluxo de aprendizados que se vivencia nas terras brasileiras que hoje a África orgulha-se de se sentir também presente na América e no Brasil. Do Oiapoque ao Chuí onde quer que se encontre nas terras brasileiras sentir-se-á a presença africana nos repiques do tambor, no jeito de dançar e nas entoações dos cantos. Ainda que o ritmo seja distante, mas a melodia levará ao auscultador atento a identificação dos laços que deram origem a este grande país das Américas.

Foram nas noites tenebrosas que os africanos, como o poeta, escritor e ensaísta angolano, Mário Pinto de Andrade, frisa no seu livro de Antologia Temática dos Poetas da Língua Portuguesa “A Noite Grávida de Punhais”, partiram de suas terras levados a força para o desconhecido. Mesmo com todas as dores na alma entoaram cânticos de esperança e de coragem para resistirem todas as temeridades que hoje faz a África se sentir presente nas Américas. Cânticos esses, entoados nas plantações de algodão na América do Norte que hoje faz parte dos repertórios das músicas clássicas dos Estados Unidos - o Jazz e o Blues. De igual forma esses cânticos foram entoados nas plantações de canas de açúcar no nordeste brasileiro, nas minerações do centro sul e no oeste do país, nas plantações de cafés de Minas Gerais e do vale de Paraíba em São Paulo e, também, nas boiadas das regiões do semi árido baiano, do serrado e do pantanal mato-grossense. Enfim, não se pode sentir o Brasil sem a presença africana.

O Brasil é o país que tem quase 47% da sua população de origem afro-descendentes que cultivam as suas manifestações culturais e afro-religiosas na forma que receberam e aprenderam de seus ancestrais africanos. Esses legados estão marcadamente representados na musicalidade, na culinária e no jeito de ser. Por isso posso reafirmar que entre o Brasil e a África não se trata de refazer as relações culturais, mas de consolidar o que já foi construído entre os povos destas duas nações para o fortalecimento das nossas raízes em comum e o resgate da nossa história.

O convergir de aprendizados está no contato entre o Brasil e a África marcado pelas migrações culturais, econômicas e financeiras. Quantos africanos hoje vivem, ainda que temporariamente, no Brasil como estudantes e pesquisadores universitários. Quantos brasileiros vivem na áfrica colaborando na área da educação (ensino e pesquisa), em missões diplomáticas e empresariais ou em viagens de turismo em busca seus passados históricos. Quantos Centros de Estudos Africanos foram fundados no Brasil em diversos Estados da Federação, nomeadamente, na Bahia, no Rio de janeiro, em São Paulo etc. que tratam de reencontro de legados entre os dois povos. Ainda hoje na Nigéria e no Benin celebram-se em certos dias do ano as manifestações culturais afro-brasileiras levados pelos antigos escravos libertos e que tomaram destinos para a áfrica em busca de suas raízes e de seus parentes.

A comemoração do dia da África é mais que justo por representar a data da consciência política sobre os destinos que impuseram este continente no passado e a luta para a reversão deste passado em prol da liberdade e da prosperidade do seu povo.

Após a independência das colônias africanas nos finais dos anos 50 e início dos anos 60, até a data presente os termos de tratamento político e institucional entre os países africanos e suas ex-metrópoles coloniais mudaram, mas os africanos continuavam e ainda continuam vendo suas riquezas naturais e humanas sendo espoliadas pela forma mais sutil e moderna da economia dominada pelos países mais desenvolvidos, ou seja, o Comércio Internacional.

No dia 25 de maio de 1963, 32 chefes de Estado africanos em reunião na capital da Etiópia criaram a OUA (Organização da Unidade Africana), hoje transformada em União Africana. Os objetivos principais dessa reunião era fundar uma organização que congregasse as nações africanas para envidarem esforços pela descolonização completa do continente e também lutarem contra a mais nova forma de colonização que os países emancipados poderiam ser submetidos. Apesar de suas independências políticas estavam ainda muito distantes para a concretização da independência econômica, por isso exortava-se lutar pela descolonização completa do continente.

Passados 46 anos da emancipação política, a África ainda luta para superar os obstáculos políticos e econômicos que a herança do passado a impôs. O problema que a África hoje enfrenta vem de desencontro de culturas do passado sabidamente explorado pelo colonialismo – a divisão do seu povo para melhor governar seus destinos e suas nações.

Finalizando, resta apenas perante os fatos mencionados dizer que, assim como ontem jovens idealistas se transformaram em revolucionários para mudar o curso de história que até então era vista como impossível aos olhos dos colonizadores. Desta forma apela-se para a geração dos mais jovens que representa a África onde quer que esteja que se transforme em desbravador de limites fazendo do impossível tornar-se possível, transformando-se em mensageiro de paz a fim de colher o que é do bom nas terras distantes e trazer consigo a fim de se tornar timoneiro que levará o barco do desenvolvimento deste continente para o porto seguro.
 
Aos jovens africanos, pioneiros de ontem e desbravadores do saber de hoje só resta à certeza de que a África é um assunto de todos nós, brasileiros e africanos, por isso temos que ter a coragem de pôr o dedo na ferida para podermos ter a noção de que alguma coisa precisa ser feita. Não é necessário recorrermos à força das armas para exigir mudanças. Não é necessário recorrermos ao passado para atribuir culpa a quem quer que seja. É necessário, sim, arregaçar as mangas para a reconstrução da África, física, ideológica e economicamente. Cada um ao seu modo, os ferreiros com seus alforjes, os camponeses com suas enxadas e arados, os carpinteiros com suas serras e plainas, os pedreiros com seus prumos e compassos e os intelectuais com as suas idéias. A África conta com cada um dos seus profissionais e quadros na sua edificação como potência cultural, social e econômica.

BIBLIOGRAFIA

BARI, M. Lamarana. A Política de Sustentabilidade e o Crescimento Econômico: caso dos países do sahel, uma análise crítica. IV Congresso. APDEA – FARO/AL –Pt, 2004.

BARI, M. Lamarana. SISTEMAS ECONÔMICOS versus SISTEMAS POLÍTICOS: convergências ou divergências, uma discussão no contexto da África Contemporânea. Estados UNIDOS, 2005.
BARROS, Marcelo. O Brasil reencontrado com sua negritude em Adital, 2008.

CÁ, Lourenço Ocuni. A Constituição da Política do Currículo na Guiné-Bissau
e o Mundo Globalizado. Cuiabá: EdUFMT/CAPES, 2008.
DAMÁSIO, Roberta Hundzinski . Negritude. Revista Espaço Acadêmico no. 40 set. 2004.
DECRANENE, Philippe. O pan-africanismo (tradução de Octavio Mendes Cajado). São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1962

FURTADO, C. Desenvolvimento e Subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961

HAYEK, F. Caminho da Servidão. São Paulo: Globo, 1977.


[1] Artigo adaptado da Conferência proferida na Universidade Federal de Mato Grosso por ocasião do 46º aniversário da criação da Organização da Unidade Africana – OUA, hoje denominada União Africana, pelo Professor Dr. Mamadu Lamarana Bari.


[2]  Significa Terreiro no idioma Mandinga, os Malés que nas terras brasileiras portaram no passado tenebroso.
[3] A porta de nunca mais refere-se à porta da fortaleza da Ilha do Gore no Senegal que servia de embarque dos escravos africanos.

sábado, 12 de maio de 2012

CANTOS E VERSOS
(O Emergir de um desejo outrora adormecido)



PRECISA-SE ALGO DIFERENTE

Precisa-se algo diferente
Que da diferença
Implante algo
Nas terras nascente
Do sonhado País resplandecente
A Guiné terra de Djagrás1
A Guiné terra de Príncipes dos Impérios Mandingas
Ainda que rapidamente, mas também de Clãs
Intelectualizados dos Reinos de Futa-Jalon.
A Guiné do sonho Paigciano.
Precisa-se fazer algo diferente pela Guiné
Que nos braços do mar adentro disfarçados de rios
Possam adentrar ventos de mudanças
Rumo ao progresso e desenvolvimento.
Precisa-se fazer algo nas terras da Guiné
A Guiné, Portuguesa, de outrora
Que mal dos braços do mórfeu saíra
Tornara-se enclaves:
Enclave Lingüístico
Enclave Político
Enclave Territorial
Enclave Econômico
Precisa-se realmente fazer algo diferente
Para que a Guiné volte a brilhar resplandecente
Como a lua prateada
Na mansidão das águas de Bolama-Bijagós.
Bolama Capital, Bolama berço
Encontro de culturas e de interesses econômicos
Em antigamente
Ulisses Grant que o diga.

Bolama que nascera portuguesa
Mas de repente se vira inglesa
Confiada à sorte de uma madrinha Leoa,
Mas que da pujança e sorte
Em nada nos valeu.
Bolama que mal acordara do
Pesadelo de ter que responder à
Quem não conhecia sobre o que não sabia
Fora esquecida sob vãs promessas.
Guiné, a sorte da mãe solteira
Se assemelhara a da filha Bolama
Abandonada à sua sorte
Guiné e Bolama, mãe e filha em busca de sonhos
Outrora sonhados em dias que pareciam de morte.
Na verdade algo de diferente precisa-se.
Será que esse algo ainda está longe de chegar?
Guiné-Bissau, N´dei san,
Quantos dos teus filhos
Vistes partir do canal de Geba
Em busca dos dias melhores,
Ou de Bissalanca
Em busca de uma europa promissora.
Guiné Paigciana
Quantos dos teus filhos
Se embrenharam nas matas
Sob promessas de luta
Para autodeterminação e independência
Chegou esse dia. Mas valeu a pena?
Ainda que se dissesse
Tudo vale a pena quando a alma não é pequena3
Olhar para trás não trouxe recompensa.
É só constatar o presente
Onde estão os teus filhos?
Intelectuais, Professores Universitários, Empresários,
Altos Executivos dos Organismos Internacionais etc.
Ah! Guiné, quantas vidas
Foram ceifadas no teu chão
Ontem e hoje sob vãs promessas
Da ideologia de libertação:
Libertação política
Libertação de preconceitos
Libertação contra as injustiças sociais
Frustrações, ou ainda há esperanças!
Apesar de tudo, contudo
Precisa-se fazer algo pela Guiné
Para os que de costas viradas estão
Possam voltar
E de cabeça erguida
Possam ajudar a erguer as esperanças perdidas
E, a partir delas possam soerguer
A Guiné, social, política e economicamente.
A reconstituição deste tecido político e social
É de todos nós
Portanto, queiramos esquecer as indiferenças
E fazer das nossas diferenças a síntese
Da nossa aproximação, do nosso entendimento
E do nosso Progresso.
Não importa o grau de divergências político-ideológicas
A Guiné tem que ser Guiné e nós somos guineenses
Acima de tudo......
Só assim algo novo estará feito.

Vivam todos
Viva a Guiné


Salvador-BA, 20 de setembro de 2005
Mamadu Lamarana Bari
Membro da Academia Brasileira de Ciências Econômicas, Políticas e Sociais.
Titular da Cátedra nº 116.


A GUINÉ MINHA E DE TODOS NÓS
OBRIGADO GUINÉ

Por ter eu saído da tua barriga
E ter permitido mamar
O teu seio Criol
OBRIGADO GUINÉ
Apesar da tua multiplicidade étnica
Línguas unistes junto com
A Madrasta Portuguesa
Para delas saírem o bonito
O apaixonante,..., o galante
E o bem falar Criol
Que hoje respiro.
De Bolama a Intatchá - Gã Criol
De Tchon de Papel Varela a Praça
Bolama-Cacheu e Geba Criol´s
Em papiamento na Civil, Gouveia,
NOSOCO, SCOA, ULTRAMARINA.
De Pilum República a Santa Luzia
Verdadeira democracia Etno-Linguística,
Babel da Guinendadi.
Criol unindo os querelantes de ontem.
OBRIGADO GUINÉ
Por tudo que fui e sou.
Quando em ti Penso
O meu Eu se avizinha
Ao meu horizonte do SER.
Espero ô GUINÉ!
Que tu continues na tua Existência
Para que a minha Essência
Revelada se mostre
Mesmo nas longínquas terras
Onde o meu estar necessário se faz.
Amada GUINÉ
Os teus filhos
Que do teu chão saíram
Sempre te voltarão
Quando o Criol entoado
Na fala, na música...
Presente se faz nas comunidades,
Ainda que afastadas
A sete léguas marítimas
Ou milhas aéreas da Terra Mater.
Pedaço do Tronco por mais tempo
Que no mar demorar
Em Jacaré não se transforma.
É verdade... por mais longe seja
A terra que os nossos pés pisarem
Um dia à Casa tornarão.
A nossa terra é Guiné
E na Guiné sentiremos guineenses,
Longe no pé ou perto no coração.
Obrigado Guiné.

Salvador-Bahia, 02 de Novembro de 2008.
Dudu Bari

Balur di nô Terra

Nô terra i qui lugar
Nundê ku sintados sibi sinta
Mêmo qui as bêz turmentas
Ta tchiga na porta
Suma qui currida de parmanha
Di djumna descarnus ku ta misti
Mara cerco na quil hora.
Nô terra i nundê
Qui garandis ta mostra gintis
Balur di rispito na casa di adjia
Pabia pista turpeça
Pa sinta i ka tchiga
Cargal na hora de bai.
Nô terra i Nundê
Qui balôba ta fala djambacus
Ora qui cala calado
I pabia cussa ‘sta lá.
Má cala di garandis
I tchiganta cuncimentu di djorçons
Pa ka sabura di sinta iaradu.
Na ora qui na nô terra
Bu disponta na riba di rua
Bu fala mantenha
Te bás di rua
Garandis ta midi
Balur di Umbigo
Nundê ku bu sai.
Anta dê...
Curri ku djubi trás na certa
Ô i madja di cabeça
Ô i tapada ku queda.
Ampús...
Mininos bô curri
Na bô inocência de brinca
Má... bô lembra kuma caminhu
I tchiu tapada ku lalô.
Ora ku bu lalu
Bu ka sibi na ragás
Di quim ku bu na cai
Ô ora ku bu da tapada
Bu ka sibi kal mon
Ku na lambantau.
Sinta ku sintados
I sibi tchiganta kudjer na cabaz
Má tambi dã totis
I torquia udju de odja
Pa udju di cunfiadu
Cunfiadessa ta lundjisiu
Di qui ranha tchon de garandis.
El ku manda garandis
Ta fala kuma
Quin ku ca bai bias
Ta pensa kuma
Tchebém na riz
Qui ta padidu.
Má si bu bá bias
Bu torna suma bacas
Di nha donas di djius.
Anta bu bida
Na sedu cunfentú.
É bida nha djintis i pa toma sintidu...
Nô terra tchoma Guiné....

Rio, 23 de setembro de 2008
Dudu Bari

As Dimensões do Amor

O amor é se doar aos parentes, amigos e à vida.
O amor é apostar na cumplicidade assumida.
É buscar compreender muitas vezes o incompreensível,
É olhar para o outro com o sentimento de igual
Como se da tua essência parte fizesse.
O amor é correr para o limite do Ser e Ter
Sem dissabores impor, ainda que lícita,
A quem da constante presença solicita.
O amor é um sentimento manifesto
Na forma cabal após a fase da paixão amadurecida.
O amor também é saber dizer não e nunca basta.
O amor é receber com grato carinho
Quem próximo de ti o manifesta,
Ainda que com um leve sorriso ou meneio de cabeça,
Quando a presença da pessoa se faz sentir,
Ou por telepatia na pessoa introjectar
A quem a mensagem interessar possa
Para que a sensação do bem-estar no peito,
A ansiedade de a Nova receber anuncie.
O amor é tudo isso e mais o que se deixou de dizer
E que no coração ainda em segredo se guarda.

Praias do Flamengo, 02/08/2008
Dudu Bari

Entre o Ser e o Parecer, eis a questão da escolha

Ser é infinitamente aquilo que é
E, em nós incontestavelmente se preserva,
Porque no nosso destino moldado ele se encontra.
Enquanto o Parecer a cada momento está
E, em voltas procurando mostrar a prova
De que é, quando sabidamente
Sabe-se que as aparências enganam.
O Ser é inerentemente moldado à personalidade,
Fruto da concepção genética,
Por isso é sempre presente.
O Parecer é fundamentalmente opaco,
Fruto da fingida figura que em volta o adorna,
Por isso está em amostra
Na infinita tentativa de renovar aparências.
Ser ou Parecer qual é a preferência
Se no mundo da globalização, imitação constante nos leva
Em busca da renovada referência
Como se dela socialmente correta fosse.
Se a imitação o aparente conforto traz
Quando do sonho a realidade volta,
A frustração de não poder fazer do Parecer o Ser,
Entristecida a alma deixa, e da mágoa
O coração brutalizado à tona volta.
Eis a questão entre o Ser e o Parecer.
A máxima do povo acerca
Ilustra o inconfundível Ser do frágil Parecer,
“... O acompanhamento do velório não é justo motivo
Para o luto do finado reivindicar,
Como se da família enlutada parte fizera”.
“... Por mais enfeites
Que à figura da boneca se adorna,
Boneca continuará quando chegar
O dia do desenfeite”.
Portanto, a vida manda ao seguinte ditado se aconselhar,
“...Cautela e caldo de galinha a ninguém mal nunca fez”.
A vida é uma constante de ensinamentos
Para que os arrependidos desnecessários,
No futuro, saem à leitura de Mandamentos,
Em desespero pelo lamento da sorte
Que o pecado da vida roubara.

Praias do Flamengo, 13-12-07
Dudú Bari

Mar Azul

Azul do Céu tu apresentas
Do atlântico ao índico oceano,
Mas esmeraldas águas também tens
Das costas do caribe
Às nordestinas costas do Brasil.
Ô mar, Ô mar azul,
Vem me buscar para o anunciado encontro
Em longínquas terras sonhadas.
Nas ondas desse mar eu me embalo
Não para as minhas mágoas afogar,
Mas da força do encanto fazer emergir
O que em mim lá no fundo repousa
Para o bem querer declarar
A eleita merecida
Ao bem do que é mais puro e sublime
No santo dia da aparecida.
Paixão a dois na suave brisa do mar
Aos corações segredam o quão bom
E quão suave viver em união.
Oh! Mar
Como é bom ver o sol brilhar
No azul oceano das tuas águas
Mesmo que de gole em gole
O suar refrescante da loira
Seja o deleite sonho
Da bela morena, cor doce mel,
Que as margens das tuas praias
O bronzeado estonteante
Aos olhos do curioso estreante
A cabeça baila deixa.
Ô Mar Azul,
Quantos corações deixaste
Em deleite sonho de um amanhã feliz.
Quantos sonhos atrapalhaste
A sorte de um dia realidade se tornar.
Da mesma forma que corações uniste
Desilusões e viuvez presenteaste
Aos filhos órfãos e noivas casadoiras.
Mas, apesar de tudo
Ô mar, ainda a fascinação
E encantos presenteias
Aos que te fitam sem fim.
Mar, o sustento de famílias.
Mar, o caminho de encontros.
Mar, a epopéia dos aventureiros,
De marinheiros a navegadores.
Sete mares é o número
Que ao mundo encerras.
Bendito tu és e para sempre.

Praias do Flamengo, 20 de Agosto de 2008
Dudu Bari

Pôr do Sol...

Pôr do Sol...raios dourados
Que encantam os que deles buscam
Um final da tarde a dois.
Mas no fim mesmo, fica
A bola dourada que pouco a pouco
Some nas águas do oceano
Para quem da costa ou da praia
A sua contemplação busca.
E para quem das encostas
Ou do outeiro se posiciona,
A mistura de nuvens com raios do sol
Confunde o seu avizinhar.
Mas para lá do sopé olhando
Raios espraiam a claridade dourada
Na planície sem fim,
Como se de lá se avizinhasse
O encontro do céu com a terra.
Pôr do Sol...
Eis o mistério da tarde
Que nem mesmo o dia sabe como termina.
Se é pouco tempo depois
Com o ribombar dos trovões
Sob o despejo das águas pela noite
Como se o Sol lindo dia não desse.
Ou se é pouco depois
O tempo anunciar a Lua Cheia
Com seus raios prateados
Que o mar e a terra clarearão.
Sorte dos pescadores que do mar
Sustento buscam.
Sorte dos namorados
Que a benção cúmplice desejam
Do mar da tranqüilidade
Que lá em cima avistam.
Pôr do Sol... Lindo Mistério
Que nem o final da tarde decifra.
Pôr do Sol...fim do dia,
Mas também da renovação
Para um amanhã feliz.
No pôr do Sol as esperanças
Se renovam para aqueles
Que dele o tempo controla
Para reverenciar a obra da Criação.
No pôr do Sol... o agradecimento dos
Penitentes no mês do Ramadão
Por mais um dia com Deus no coração.
O que será o dia sem o pôr do Sol?
O que será da noite
Se a certeza não tiver
Que no amanhecer o dia trará
Novamente o pôr do Sol?

Praias do Flamengo, 31 de Agosto de 2008
Dudu Bari

O Incontornável Desejo de Ser

A vida tem essa de conduzir distraidamente
Ao distraído caminho por nunca dantes visto.
Apesar de constatado o imprevisto,
O final da jornada explicadamente
Revela como se tudo havia sido predito.
O caminhar conduz certeiro,
Ainda que sem destino ao ponto altaneiro.
Do cume do ponto chegado
Fica a sensação que por esse caminho havia trilhado,
Mesmo que em sonhos do sonhado merecer
Constante na vida, que em nós faz querer
A presença, como se sempre presente,
Do incontornável desejo de Ser.
Porque da sorte, esperanças, há de encontrar.
A sorte na vida procura-se
Mesmo que dela e nela das mãos
Fogem em certos momentos,
De quem de ombros caídos pensara
Que a sorte da vida o abandonara
Como se de Deus filho não fosse.
De que vale a pena do infortúnio queixar-se
Se de dentro reexame não fizera
Para saber de que lado a verdade o levara.
Ser emotivo ou Ser racional,
Qual a preferência certa,
Se no contexto da racionalidade do mundo
Em que Homo-economicus querelam
Se avizinham sinais que revelam
Atitudes inconseqüentes
Da incontrolável sede de que querer
É o poder.

Praia do Flamengo, 08 de dez de 2007
Dudú Bari

A Vida é Ser Vigilante

Quem Sou Eu
Amigo 100%, sincero e fiel.
Ainda que à prova, fatos revelem
Que o lado de lá é infiel.
Quem sou eu
Sou a prova de que a vida é ser vigilante
Vigilância sempre posta à prova
Para que o meu existir brilhe cintilante.
Aos olhos de outrem continuo sendo,
Mesmo na certeza conhecendo
Os mistérios que a vida nos reserva.
Quem eu sou?
Sou o produto que este meio carente de modos
Quis moldar a seu modo.
Mas da firmeza minha, as forças aumentam
Para se opor às vozes maldizentes
Travestidas de boas intenções
Que à minha consciência atormentam.
Não sou de à vontade submeter o desejo de Ter
Àquele que a mim como solução, facilidade aponta,
Como se na vida, de ilusões e de sonhos se sobrevive.
Se desse sono coisa boa saísse,
Pobre de mim, não conheceria dificuldades,
A liberdade de ser, condicionada estaria.
O incontrolável querer poderá amanhã privar
O ser livre que em mim desponta.
Quem de fama a todo custo viver
O seu nome Manchete fará mister.
De ninguém aos ombros Deus
Carrega o pesado fardo
Para que o desespero no amanhã
Não seja o pedido de adeus.
Na vida precisa-se ser vigilante
Porque senão,
Qual será a dimensão do puro e do belo
Na senda da ilicitude.
Quando na vida, assumida a extravagância,
Desatinamente o seu Eu se transforma na solicitude,
Mesmo que no amanhã, o arrependido choro,
Pela prática da ilicitude, clama pela redenção da ganância.
Antes na pobreza livre
Do que na presumível fartura,
Cativo se tornar pela desmedida aventura.
Sê vigilante portanto, porque na vida a Ordem
É a busca da mais Perfeita Harmonia
Entre o Ser e o Ter para que em tudo
A justeza e a Perfeição se faça presente.

Praia do Flamengo, 04-11-07
Dudú Bari

ONTEM MENINA-CRIANÇA, HOJE MOÇA FORMADA[1]

Vanessa
Ontem te vimos criança recém-nascida
Das nossas mãos: tios Lamarana, Joaquim e Pedro,
Na inocência de criança e inexperiência de tios solteiros
Mamadeira aprendestes a tomar
Amas corujas fomos nós com gosto assumidos
Enquanto a mamãe Ema
De obrigações acadêmicas parte da manhã
Em nossas mãos te deixava.
Tempos passaram.
De recém-nascida te tornastes menina
E de menina te tornastes moça,
Tempos ocorridos entre a Bahia, o Rio e a Guiné.
Tempos depois como boa filha
A Terra Mater tu voltaste
Salvador festeiro e de braços abertos
Recebera Vanessa filha e moça formosa.
Do encanto da tua mocidade
A tua formosura sonho teu não atrapalhou
Da firmeza do teu sonho
À universidade chegaste.
Hoje, Vanessa moça formada.
Na candura da idade promissora
Outros sonhos em ti despertam
Sonhos de estudos continuados em outros mares.
Graças a Deus
Recompensados sentimos pelo tempo
Que em nós não desfez a recordação passada.
Do passado o presente se fez
Testemunha da menina-criança à moça formada.
Simplesmente,
Graças Te rendemos meu Deus
Obrigado pela alegria da Vanessa
Alegria nossa como tios e Amas.

Praia do Flamengo, 21 de Janeiro de 2008
Dudú Bari
[1]Em homenagem a Vanessa B. Vaz Dias pela vitória acadêmica alcançada

Aida Seidi

"Ku uru ô sim uru, bu bali diamanti".
A sua simpatia fascina a todos.
A sua educação cativa as pessoas.
A sua bondade emociona
Quem de ti amigo faz.
A sua candura atrai fãs de admiradores
E deixa qualquer um,
Sobretudo aos corações de pedra,
Em tic-tac contínuo.
O seu sorriso prende a atenção
Do atento aos mais distraídos.
O seu olhar viesado
Confunde a cabeça curiosa
Dos que te fitam
E dela deixa a alma em pranto
Como se até último suspiro
Esperanças não há de te encontrar.
Aida Seidi, mulher guineense,
Estes são os valores
Que em ti gravam a marca feminina
E realçam a personalidade de mulher.
Benze a Deus,
Tu és agora e sempre
A presença do inesquecível jeito de ser mulher.
Que assim seja...


Salvador, 08 de fevereiro de 2008
Dudu Bari

12
Djagassindadi di ermons ku sibi mama.

Bom dia, Anumbara, Tanalá,
I Nura Maka, I Satê Tcholô...,
Menrê, menê, di tios budjugus
Na mantenha
I sim dê dia tudu, tudu dia.

Ai nha Bolama
Tera di bantabás sagradus.
Fonte di Telegra, tchon sagradu
Fonte di Policia, tchon sagradu
Fonte di Intatchá , tchon sagradu
Fonte di Mato, tchon sagradu
Fonte di Sintra, tchon sagradu
Cabaz Garandi, sukuru di dinote
Pa quilis kuta odja
ku udju di inocença
Dia, pa quilis kuta sindi.

Mambodi,
Na rapatida di caminhos.
Administração ku hospital,
Quintal di banana na sardia lis,
Central na sés testa.
Cassa di luz na bissia praça,

Ma na si costa
Sukuro di padjota pa bás.
Caminho Garandi
Na sukuru di note
Cabalo branco na sardia
Na caminho metade
Di Bolama ku Bolama di Bás.

Tagara,
Frontêra di Intacha ku Sindjã
Gã Djaló ku Gã Sisse
Na metade di caminho.
Alô na Natália, Gã Conte e Gã será.

Bolama, tera di cibilizaçon,
Porta di frônteras di raças.
Terá branco ku angolenses,
Na firmeza di terá iâgo.
São Tomé ku Caobirdi
Djius bá sinta na djiu.

Bolama, tera di Gumbé
Criston di Nhala ku sico
Na Cambança di sandjon
Pa mantenha lêba na toco di badjo.
Nô badja gumbé na toco di sico
Quinta Budjugu na caminho di Telegra,
Pres Lebre na djimpini.

Sadjo Dabo “dundu matu”
Fanado di biafada ku nalus.
Alô nhu Zé Mané ku Anula,
Djinha ku Mamadu Dabo,
Rapaziadas di quilis tempo.

Ernesto Dabo na labanta
Difuntos di nhala pa badjo di gumbé.
I Kumah, nô bamus, si pés ka cansa
Kurpu na seta.

Di Intatchá pa Sindjã
Nô tchiga Sintra.
Na pantida di caminho
Luanda na cumpanha.
Nundê Portugal,
Praçacinho na caminho di riba.

Nundê nhu Djonsinho ku nhu Buchê,
Abdu Conte ku tio Paulo Caiangô,
Ntony Cassanovo ku nhu Lúcio da Silva
Na badjo di tina.
Teixeiras, Djaus, Cantés,
Djalós, Sanhas, Sancas e Badincas
Utrus delis, Ah Ndei San
É dissano tera sabi
Pa sinta na mon di Deus.

Bolama tchon sagrado
Bolama tera sabi
Pa tudu si bedjussa
Si garandeza firma na fúrundadi.
3
Sabura di tempos inda na odjadu
Na curpu i na corçon
Di si djintis.

Bolama Fidju qui mati
Badjudessa di mamê Guiné
Nundê ôbu di tchoca?
Talbés i roçon di tchora pena
Má um dia bardadi na dispanti
Fidjus na konconhi pa riba sês ragás.

Bolama, moranças padjiga
Fidjus perdi na mundu.
Suma Deus ka mora na rabada di adjia
Tchon di Bolama i sagradu
Esperança na fidju di amanhã
Qui na sêdo.

Bardadi na matido,
Suma na limpussa udju di sereno.
Bolama ku si tcham presença
Na odjadu ku udjus di quim qui mati.
Bolama i sempre Bolama
I na sêdo sempre Bolama….

Dudu Bari
Stella Mares, 28 de março de 2010

 CANTO A MULHER1

Mulher, amiga e amada
Sem ti no mundo dos homens
O querer e a frustração de não ter
Co-habitam o amargurado coração
De se ver triste e abandonado
Como se o destino para lá
Da terra de são nunca se perdera.
Mulher, amiga e companheira
Quem a tua companhia dispensara
Vida inteira a sorte do destino lamentará
Pelo o que é de belo e sublime
Que seu coração distanciara.
Do amor eterno e sublime
Aos vossos pés juramos
Do vosso coração a candura
Da emoção o corpo envolve,
E do brilho nos olhos
O vosso perdão é dado.
Instantes depois.... de tudo prometido
A leveza da memória ao esquecimento deixa
Mas no instante que o arrependimento
À consciência do faltoso povoa
A mulher Soberana junto está
No Compassivo olhar e leve sorriso
A Clemência bondade coração povoa
Para de leve meneio a cabeça,
Assentimento ao infortunado dar.
Assim, é a MULHER
Jeito de mãe, amiga e companheira.
MULHER a palavra com seis letras.
Número SEIS é o Princípio Vital
Que à Criação o equilíbrio traz,
Porque da Criação a figura feminina engendra.
Da Vinci
Dos mais gênios dos homens
De suas mãos a mais bela SER pintara,
Figura igual ninguém de imitação conseguira,
Não que desafio a DEUS quisera,

1 Em homenagem ao dia da mulher africana e a todas as mulheres na faca da terra

Canto do Amor1

Tudo o que eu lembro
É só saudades
Do teu encontro ao arfar do fôlego
No meu peito sentir.
De tudo que eu lembro
È somente saudades
Do menear encosto da tua cabeça
No meu peito de saudades queimar
Pensando como será o dia seguinte.
Tudo o que me faz lembrar
É do momento da beleza cheia
Testemunhada na noite de lua cheia
Que do seu brilho manifesta
Aos pares que dele se deleitam
O prenúncio do fim da festa
No minguante que se avizinha.
Tudo o que eu lembro
São apenas saudades
Dos teus lábios doce mel.
Do inexplicado sabor sentir de seus leves encostos.
Tudo o que eu lembro
É de saudades
Do teu sorriso matreiro procurando
O que bem sabes como é bom querer.
Tudo o que eu lembro
É de saudades
Da sagaz declaração de juras a dois
Em estado de transe
Pela aproximação do sentir cúmplice.
Tudo o que eu lembro
É só saudades
Do deleite macio dos nossos desejos
Confidenciando o que é inconfidente.
Tudo o que eu lembro
São saudades de tudo que és
Para mim, e que será para nós...
Num amanhã sonhado tão breve.
É saudade demais... e só saudades.

Curitiba-PR, 27-08-07
Dudu Bari

1 Adaptado da canção de José Carlos Schwarz

Destinos Nunca Dantes Pensados

Bolama e Bissau
Dois destinos nunca dantes pensados
Cidades da Guiné que as águas separam
Mas com passados comuns ainda enigmáticos.
Bolama de Paulo Kaiongô e de Lúcio da Silva
Cadê a esperança que vistes nascer
Na rapaziada dos teus filhos.
Da dança do salão da praça ao n'gumbê de Intachá
Do batuque de Luanda-Sintra a cambança de Djidi Cobra
Os de Nhala e Bissasmá que o digam.
E tu Bissau que ergues desafiantes nas margnes de Geba
Ao imponente Bolama que desfarçada se firma atrás de Djidi Arca
O que tu nos fala da tua sobrevivência traçada intra-muro da Amura.
É verdade, conta só entre nós e que ninguém escuta.
Há uma vala subterrânea da Estátua Maria da Fonte ao Hotel Portugal.
O que tem enterrado naquela canoa.
Ela é algo verdadeiro ou apenas uma imaginação
Daqueles que a Paz duradoura sonham à Guiné.
Bissau dos Correias, Pinheis, Pereiras, Vieiras, Mendes
Mas também dos Djalós, Barrys, Baldes, Mangos, Tés,
N'bundés, Sancas e Baticãs.
Bissau Velho, Bissau do Intim, de Antula, de Pilum e de Bandim.
Bissau de Banculem, de Sintra, e de Gambiafada a Bissau Novo.
Bissau de Achada de Burro ao Tchon de Papel.
Afinal onde é o centro da verdade do seu cerne revolucionário.
Escuta, e aqueles lá de Burúrê,
Que ninguém saiba decifrar esta palavra.
Aqueles nossos filhos que embranharam na mata
Para algo de novo trouxer como esperança de um dia melhor
Penduraram a Chuteira, desistiram da Luta.
Ou esperam que a nova geração, a geração dos Incoptés
Apontem o caminho, caminho de esperança e de felicidades.
Ah! Guiné não ficará que nem a lã de Poilon ao vento
O que importa é que Bolama e Bissau são unhas e carnes
Do mesmo corpo, corpo de badjuda que virou mulher de repente
Os que assitiram a badjudessa sentados hojem pereceram.
Ainda vamos continuar sentados, quer dizer, a futura geração.
O importante não é que se da Luta participamos,
Quinhão nosso primeiro.
Mas ensemble dividir o resultado.
Assim todos sentirão copartícipe do ônus do Progresso.
O interessante não é isoladamente colher frutos
Do Progresso ou viver o amargor do Retrocesso
O fundamental é que todos pensem a Guiné
Como verdadeiros guineenses que somos.
E trabalhar para o seu desenvolvimento
Quem de uma Nação pensar construir
Com sacrifícios: com a fome e com a miséria
Fantasmas as cidades povoarão
Ou de escombros e de buracos as casas e as ruas serão.
Então todos dirão bye, bye Guiné
É isso que assistimos.
E porque não quebrar as correntes das inflexibilidades
Em que estamos amarrados.
Repensemos as nossas atitudes.

Salvador-BA, 19-05-08
Dudu Bari

Do Encanto ao Ser
Srta. Dani
Mulher brasileira
Que o mundo recebeu com encanto,
E a Bahia abençoou no canto.
Na magia dos Orixás
A tua presença brilho espelhará
Porque deles a proteção se emanará
Para energias receber.
Do Encanto e da Beleza da Criação
Providenciou Deus para que Sua obra
Graças reverenciem, todos...
Eis porque de memórias em memórias
Na Bahia, no modo universal,
De lembrá-Lo por todos sem distinção,
O Sincretismo se criou.
Desse Encanto e dessa Magia
A Bahia se fez e se consagra
É dessa Bahia mística
E encontro de culturas
Que Dani, menina moça, floresceu.
Saravá na doçura do teu sorriso
E no modo de ser teu
Que é somente teu.
Menina outra igual Deus não fez
Para que saudades tantas
Sempre se tenha desta amiga,
A original, a certeza de
Quem desta amizade jus fizer,
Amiga para sempre terá.
Que Assim Seja.
Dudu Bari
SSA, 28 de agosto de 2008

E EU
O QUE DIGO.
TODOS DE TI BEM FALAM
MAS A MIM
NÃO CABEM PALAVRAS
PARA SUAS QUALIDADES
E DEFEITOS ENALTECER.
MAS QUEM SOMOS NÓS
PARA NÃO QUERERMOS
CONVIVER COM ESTAS
DUAS ANTÔNIMAS QUALIDADES
QUE NOS TORNAM UNOS.
APESAR DE TUDO ISSO...
E... CONTUDO ISSO
TE AMO CADA DIA MAIS.
OLHO DA JANELA
PARA O HORIZONTE DO MAR
SINTO A SUA FALTA
OLHO PARA A BEIRA...
E DO LADO
SINTO UM VAZIO PRESENTE
NOS ARES QUE A FRAGRÂNCIA
DO SEU SER
EM MIM ESPRAIA.
DOCE AFAGO
DOCE BEIJO
MEIGO OLHAR
NA CERTEZA DO SIM
E PARA SEMPRE.
AH!!
COMO É BOM AMAR
E TER A CERTEZA
DE SER AMADO.
PRINCESA MADAGASCAR
DE OLHOS RASGADOS
E DE PROFUNDO
INTENSIDADE FIXAR
QUERO SIM
AO TEU LADO ESTAR
AO LUAU DE TODA NOITE CHEIA
E NA MORENA MANHÃ
DO DESPONTAR DA AURORA
CONFESSAR-TE UM SEGREDO...
TE AMO AMAR.

DUDU BARI


VI a VISÃO

Eis que eu vi no meu caminho
Uma missão subtil e deleitosa
Que só o desvendar do mistério
No Passado caberá a explicação
Mas VI,
Por que vivi
O reflexo que
Em mim espelha
A essência desta Bahia
Afro e mágica?
A mágica que em mim
Faz parecer justo a cada dia
De que tudo voltará
Ao ponto de partida
Para explicar o incompreendido.
A explicação
De o meu existir
No Passado mistério
Que só a Bahia
Do Além do Carmo,
Da Praia da Paciência
Ao Largo da Madragoa
Possa revelar.
Revelação
Que nestes lugares
Uma bela princesa sudanesa
Eu VI
E que alegrias no Passado
Com ela eu Vivi
Em sonhos sonhados,
Acalentados num embalo
Do sono profundo
Que ao despertar
De repente eu VI
O meu Passado
Presente no Além Mar.
Anos existências passaram
Tentando descobrir de onde Vi
Era Passado.
Eis que de repente
Os fatos reportaram
Ao Passado
E repentinamente
VI-me Presente na terra
Que VI reencontro prometera,
Quando as forças da inveja
Encarregaram-se de afastar
Ao que a benfazeja
Sorte encarregou-se
De no Futuro concertar.
Chegou o Futuro?
Quem sabe... o Pôr do Sol,
Que a Bahia de Todos os Santos
De bonito aos olhos do mundo
Oferece
Resolva justiça fazer
Para o que é de Cezar
Seja merecido ao Cezar.
Que Assim Seja.

Dudú Bari
Praias do Flamengo, 08 de outubro de 2008

Informar é Preciso

Informar é libertar as mentes
Presas ao passado irrecuperável.
É despir o homem de preconceitos dementes
Que levem a autodefesa eternamente
Afastando os que dele precisam
Ou dele complementam
É conjugar o mesmo verbo
Após entendido o porquê do senão.
Aí então, é um correr para um abração
Abraços entre os afastados e os afastantes
Que ontem por querelas incessantes
Se viram de costas voltadas
Pois, para tudo isso é preciso se dialogar francamente.
O diálogo franco é para se dizer a verdade
A verdade de lavar roupas,
Mas colocando cada peça no seu devido vasilhame
Para assim guardar as devidas proporções aos atos e ditos.

Guiné-Bissau Contributo, 26/09/2007
Dudu Bari

Isto que é ser amigo...
Ei, psiu,
Amigóoo!!!
Presente te mando
Da bela curva
E divino triangulo
Lapidado da angélica Francesca.
Olhe com moderação
Tome antes água com açúcar
Tenha de junto um termômetro
Para a pressão arterial medir.
E um calmante
Para a febre de ansiedade
Fazer baixar
Se tudo isso certo não der
Sabão na mão
No banheiro se resolverá
Na batalha de cinco contra um.
Cuidado!!!!.
Se a angélica Francesca
De miragem aparecer.
De tentação no espelho
O degustador não aproxime
Para a testa nele não bater
E a língua cortar
Com pedaços de vidros.
Das duas por inteiro acontecerão
Sangue a litro perderá,
Um quarto de tesão
Que ainda resta privarás.
Ai!!! a mulher tentação
Mesmo no vago pensamento
Ou no delírio sonho
Ginja e néctar faz-nos buscar
Com a colher da língua
Lá nas profundezas
Onde o prazer e o paladar coabitam.
Pequenos e grandes
Juntos na agonia abocanhados
Para sustança não perder
Como no jejum de sete dias
Que sonho!!!! Que situação....
Enquanto no delírio
Os cinco na batalha
Contra um digladiam.
Entretanto, se do sonho
Por acaso
Seus olhos estrelas enxergarem
Da pancada
Do rolo de massa da digníssima
Pela tamanha sujeira
Feita no banheiro.
De justificado diga
Que foi a puta de Francesca
A culpada.
Mas afasta-te
Para outro porrete
Na confusão não levar
Por ser a Francisca
Chara da Francesca.
Amigo!!!....
Cuidado com o coração
E com a cabeça....para não esfolar.
Quem te avisa
Duas vezes amigo é
Uma para te tentar
E outra para sarilhos te meter.

Bye Amigo.

Stella Mares, 06/11/10
Dudu Bari,JURAS de AMOR
Se Camões razões tivera
Quando em versos entoou
O canto do Amor
D. Pedro I também razão tivera por amor,
Quando justiça fez à Inês de Castro
Que tão cedo foi arrebatada sua jovialidade
Por três cruéis corações
"...Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste..."
Camões a dor do amor compreendera,
Por isso ao D.Pedro I solidário fora
Em versos enaltecendo
Memórias a Inês de Castro
Sensibilizado Camões por amor,
Deste modo, em Lusíadas,
O canto entoou.
“...O Amor é um fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente,
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer,
É um não querer mais que bem querer...”
Ah! tudo que eu quero
É neste momento ao seu lado estar.
O meu coração em mil pedaços se desfizera
Em cada trinta dias que se passaram,
No afã do bem querer te declarar,
Somente..., o AMOR

Beijos infindáveis, um cheiro
SSA, 29 de novembro 2007
Dudú Bari

Lyuzzinha Pérola Negra
Doce mel que em ti mulher há.
Você é um encanto e a magia da Bahia
Em você eu miro como se na África estivesse
De você vem o encanto que a esta Terra procurei.
Contigo eu canto e me embalo na esperança
De que deste sonho realidade se tornou
Para o eterno amor sempre te declarar.
Mulher doce mel, a guardiã do meu eterno viver.
Quero na envoltura dos teus braços
o abraço sentir a doçura do acalento
Que neles se fazem presentes
Para que do meu corpo relaxar
Brote com vigor a chama de amor por ti.
O amor que aos quatro cantos da Bahia
Clama pelo Ser Livre que em mim desponta
Para o eterno servir com o profissional arte de amar
Que em mim nunca adormecera.
Tudo por causa desta mulher doce mel
Que providências Divinas em mãos minhas colocara.
Mulher doce mel,
Mulher esperança,
Mulher Divina Sagrada.
Há os que assim dizem,
Deus a figura feminina se assemelha
Por isso Dele imaginamos
O Belo que Nele contém.
Doce Lyuzzinha,
Deus na mansidão do Universo sopro de vida te deu
Para que do pincel dos teus progenitores
A bela mulher te fosses feita
Traçado do Ser que do jeito baiano de ser
Pérola Negra te firmastes.
Negra a cor da noite
Que a beleza Luar do teu semblante
No oceano da vida espelha.
Bem Haja,
Graças à Bahia do encanto jeje e nagô.
Mas também,do encanto sudanesa
A moça fulani te fizera,
Ou é senegalesa?
Não importa todas sudanesas são,
Como a Bahia que na negra cor se consagra.
Tu és Pérola
E em Pérola Negra sua cor se consagrará
Que assim seja agora e sempre.

SSA, 25 de julho de 2008.
Dudú Bari

ROSA ESTRELA

Que o meigo beijo,
Gravura testemunha,
No angelical rosto oferecido,
Aos quatro ventos
Confidências espalhem as nossas juras.
Promessas cunhadas nos momentos cúmplices
De nossos desejos inconfidentes
De há muito guardados.
Rosa é sempre Rosa,
Mesmo em gravura,
No puro papel sedoso.
Testemunha focada
Na primazia
De boca em boca tocada
Strela será sempre Strela
Mesmo que a estrela
Da bela figura a brasileirança modo
E a meiga voz a G. Bell com modos
Se faça adivinhar e sentir a distância.
Meiga voz do Sertão,
Ainda que calada no intervalo
Do sono e do acordar
Não há receios a causar
A quem da suave melodia voz
Eternamente deseja ouvir.
Da insustentável leveza
Dia todo o fará deleitar,
E do sonho moleza
O corpo inteiro se entregar
A quem dele eleito for.
Que assim seja,
Agora e na hora,
No amanhã e sempre...

Salvador, 22/12/07
O inconfidente

A Princesinha Fulani
Winnie Kássimo
Princesinha Fulani que as margens da Veneza Brasileira
Linda moça Recife festeira recebera
Para que da cidade frevo à costa esmeralda
A moça morena consagrada te tornasses.
São José da Coroa Grande.
Abençoado paraíso te tornastes,
Não pelas esmeraldas águas apenas
Que a costa pernambucana tu embelezas,
Também pela bonita gente
Que ao teu encanto tu fortificas.
Quanta mocidade linda tu formastes
Do encanto e o entorno do teu mar.
Bonita moça deste meio se firmou
E desde cedo talento revelou
Para simpatia de todos conquistar.
Winnie Kássimo
Linda menina moça te tornastes.
Universitária de talento que dos pais herdastes.
Linda tu és como uma princesa de Futa Djalon.
Tu és o encanto dos Clãs Djalós,
Vindo da árvore que o Kássimo Avô se apaixonara
E do paraíso Fulani tirara
Para o sonho de um aventurado Sírio Libanês viver.
Às portas do califado Alfa Yaia de Gabú
Uma linda moça Fulani saíra
Para uma linda família Djaló Kássimo formar.
Desse tronco união, um príncipe músico e guitarrista
A uma princesa pérola negra pernambucana se uniu
Para o mundo espelhar
Uma linda Menina-Moça que ao encanto da Terra
E da esmeralda Costa Pernambucana
Suave e bonito nome recebeu.
Winnie Kássimo.

Praias do Flamengo, 11 de agosto de 2008
Dudu Bari

Pérola Negra

Homenagem a um Amigo

DOCE MANEIRA DE OLHAR


Bolama na Cambança di Bida

Ami na ba camba mar
Nada ka pudi mainá
Mantenha di nha púbis.

Si Deus quiri na pindjiguiti
Canoa de ferro ta lebam
Odja Bolama siquidu
Na boltea Djidi Cobra
Suma na si tempus di badjudessa.

Ai nha Bolama
Mêmo ku si bedjussa
Si garandeza i sedo son.
Garandeza di mininessa
Ka lundjussil na udjus
Di tempus di aonti.
Ma si biás di mar maina
Pa sekura di iago na Coroa,
Caminho di ribada
Ta tchingantan Sandjon.

Sandjon tera i porta di bolama
Na caminho di ribada
ka lundjissi pa mantenha.
I son ndjimpini faala
Pa canoas rema na correnteza.

Fidjus di cambança tene sodadi
Djintis di Bolama sinti saudadi.
Fidjus matchos na riba
Sê... têeeeera pa fala mantenha.
Djustu di tarda na tera di "adjias"
I ka roçon pa pirdi bambarã.
Suma ianda bida ii kanssadu
Ninguim ka sibi di amanhã.

Tchon tchoma pa mama
Ai saudadi di qui mantenhas,
Mantenhas di mampassada...
Sibi sinta ku tissi djagassi di raças