A ÁFRICA·: O fluxo e o Refluxo do Aprendizado, a
interação de saberes na diáspora.
“O que o tempo não nos contemporizou
aprender com os nossos antecipados migrados à sorte, mas que hoje vivemos
aprendendo cá fora”.
Apesar de sugestivo o tema a sua complexidade
recomenda um estudo mais aprofundado por se tratar de um assunto que ainda há
para ser divulgado por ter a insegurança da vivência passada sido encarregada
de apagar erradamente todo o registro dessa convivência com o receio do ranço
que essa mistura da dor, da esperança e da luta pela sobrevivência possa
permanecer como vestígios pesados na consciência de elites herdeiras desse
passado e, tenebrosamente, marcadas nas memórias dos herdeiros daqueles que com
suas mãos calejadas dos trabalhos braçais ajudaram a erguer este país rico em
culturas afro-ameríndios e européia. Portanto, como pesquisadores, temos sobre
os nossos ombros grandes responsabilidades de buscar o elo histórico que liga a
África e o Brasil, não só pelos legados culturais que os nossos ancestrais
africanos deixaram nas Américas, mas também pela forma como se processou o
fluxo dos ensinamentos do passado e de sua retransmissão nos dias atuais pelos
afro-descendentes.
Os primórdios dos séculos passados trouxeram recordações
tristes para ambos os povos que formam a nação brasileira. Primeiro, os
africanos por terem sidos arrancados a força de seus lares, levados para longe
de seus entes queridos e deixados a sorte em terras distantes; segundo, os
índios apesar de se encontrarem em seus habitat foram também perseguidos e
abandonados a sorte quando as ações dos bandeirantes foram superadas pelas
resistências de todas as ordens apresentadas por este povo nas florestas – resistência passiva. Terceiro e o último
Os europeus apesar de terem sido deixados também a sorte para amargarem para
sempre os seus desterros em terras desconhecidas conseguiram se tornar senhores
e donos das atividades de negócios no Brasil colonial.
Como pode ser constatada a história no Brasil retrata-nos
as diferentes formas do sofrimento dos povos que formam a base desta nação.
Cada um a sua maneira teve sofrimento. Os africanos tiveram o sofrimento de
escravização, os índios, sofreram por terem sido invadidos e isolados em seus
próprios habitat e os europeus também sofreram o degredo imposto pela coroa
portuguesa. Portanto, todos eles revoltados em suas essências poderiam fazer do
Brasil um país de convivência mais difícil do planeta por congregar povos
marcados pelo sofrimento no passado, todavia Deus quis que este país tropical
se tornasse o mais dócil do mundo com o povo mais generoso e dócil do planeta. Jorge
Benjor músico e compositor brasileiro tem razão e eu endosso as letras musicais
dele que fala do Brasil ser “um pais
tropical abençoado por Deus e bonito por natureza....”
Apesar de revoltas que imperavam entre índios e
africanos ainda que guardadas as dimensões e proporcionalidades, a sorte
reservara para o Brasil os legados que fizeram deste país o mais rico na face
da terra sob o ponto de vista da arte e da cultura. Por isso quero pedir a
atenção de todos que aqui em volta deste grande “Bantabá”
estão reunidos para afirmar que o Brasil é a vanguarda da cultura universal por
congregar em sua nação descendências culturais provindas de povos de sabedorias
milenares consolidadas no mediterrâneo a partir de culturas helênicas,
africanas e asiáticas. Com base nestas constatações urge dizer que a história
da formação do Brasil precisa também ser lida de trás para frente.
É nesta base, por se tratar de comemoração do dia da
África e por se tratar de contar a história de forma não convencional que
pretendo falar dos legados culturais entre a África e o Brasil, visivelmente
marcados na dança, na musicalidade, na culinária e no modo de ser e de sentir a
brasilidade. Mas antes é preciso falar da dimensão do continente africano na
sua presença física e cultural e o que representou e ainda representa para a
humanidade.
O
continente africano tem cerca de 780 milhões de habitantes, dos quais 500
milhões vivem na África subsaariana. Essa população tem um crescimento
populacional da ordem dos 2,5% ao ano.
A
África Subsaariana (ASS) atualmente é formada de cerca de 47 países, dentro
estes, cerca de 35 têm menos de 10 milhões de habitantes e cerca de 15 países
são enclaves. Esta região da África representa, cerca de, 10% da população
mundial. Entretanto, apesar de ser uma potencialidade em termos de recursos
humanos e materiais, apenas contribui mundialmente com 1%.
A
África é de uma riqueza de miscigenação de raças e de culturas tão grande que
faz dela uma convergência de tradições e de saberes sem igual no mundo,
portanto, ela é um grande celeiro de cultura. Não é por acaso que a Europa e a
América abrigam, na atualidade, os grandes talentos culturais da áfrica na
diáspora, sejam eles músicos, poetas, escritores etc.
A
composição étnica na África é patente na diversidade de formas de cultura, música, arquitetura, religião, culinária e
indumentárias usadas pelos diferentes povos do continente. A imensa maioria da
sua população pertence à raça negra,
mas são reconhecidos nesta região mais de 1.500 línguas e dialetos.
Eis o mosaico lingüístico que opõe ainda hoje a formação da nação africana no
sentido estrito do termo. Todavia essa limitação lingüística e cultural fez dos
africanos uma aproximação por necessidade da interação entre os povos e não um
afastamento pela dificuldade de fala. Dois grandes marcos culturais foram
responsáveis por essa aproximação – a musicalidade
e a dança.
A
musicalidade africana toca a alma e a dança faz renascer a esperança de que o
corpo obedece ao ritmo e, portanto o eu sente a existência, o singular
caminha para a pluralidade. Eis a razão porque o cantor congolês Ray Lema
define a dança na África como um compasso social. “É na toada que me embalo na
multidão e é na cadência do ritmo dos passos que me identifico como um ser
social em comunhão com os meus pares da comunidade”. Esse renascer do dia a
dia, do nascer ao repouso do sol, faz do africano um ser pensador, não apenas
em reverência aos Orixás, mas também um tenaz lutador contra predestinação
quotidiana, ou seja, o que faço para que o dia não venha me culpar do descaso
ao anoitecer. Então, o renascer do homem africano é um marco libertador das
velhas idéias em favor de novas, sem, contudo, esquecer que o novo nasce do
velho. Portanto, é nessa base que devemos entender o Renascimento na
África.
O
renascimento africano, podemos assim dizer deu o seu marco a partir dos ideais
Panafricanista de N´Krumah e de Jomo Kenyatta, para estes e, sobretudo na visão
de N´Krumah o PANAFRICANISMO é um
movimento cultural que visa à igualdade de direitos e a melhoria das condições
morais e intelectuais das populações submetidas ao colonialismo. Como diz o
Presidente do Senegal Abdulaye Wade, que se intitula discípulo de N’Krumah, apesar
do Pan-africanismo se caracterizar como união de todas as nações africanas, o
principal obstáculo que o levou a não se concretizar foi a diversidade étnica
nesse continente, em outras palavras, este movimento esbarrou na existência de
várias "Áfricas", resultantes de sua própria história e de séculos de
dominação.
Sobre esse problema o ex-Presidente Nkrumah já
justificava o fracasso, "Alguns de nós são muçulmanos, outros
cristãos; muitos adoram deuses tradicionais, que variam de tribo para tribo.
Uns falam francês, outros inglês, outros português, além dos milhões que apenas
conhecem uma língua africana das centenas que existem. Diferenciamos
culturalmente, o que afetam a nossa maneira de ver as coisas e condiciona o
nosso desenvolvimento político."
E
também na mesma seqüência do tempo, o renascimento africano se fez presente a
partir das mais vivas expressões do existencialismo africano nas vozes e mãos
de Léon Damas, Aimé Cesaire e Leopoldo Sedar Senghor a partir do estudo e tema –
A Negritude. Segundo Senghor a negritude é um conjunto de valores-econômicos e
políticos, intelectuais, morais artísticos e sociais. Ela não diz respeito
apenas aos povos da áfrica negra, mas também aos da diáspora. Ela é e pode ser
definido também como “maneira de se exprimir do negro, características
negras, o mundo negro, a civilização negra, etc”.
A
partir dessas referências conceituais da existência do homem negro e da sua
relação com o mundo é que devemos entender que o renascimento africano não
aconteceu da mesma forma que o do europeu, mas guardam entre si alguns
princípios tais como o respeito pela dignidade do ser humano e o ideal
humanista. Por isso, guardadas as dividas proporções deve-se ter cuidados de
associar os ideais renascentistas europeus com o modo de ser africano,
sobretudo no que respeita os valores característicos do homem negro africano.
Ø O
homem negro é essencialmente religioso e cultural, ritual e celebrante, porque
para ele existe um ente supremo, o "sagrado", que é o verdadeiro
real;
Ø O homem negro é simbólico, porque o seu mundo
é o mundo das imagens e do concreto; todas as realidades materiais, visíveis e
imediatas são anunciadoras e portadoras de outras realidades;
Ø O homem negro é o homem de coração, porque,
para além do corpo, da força vital, da habilidade, do entendimento e de todas
as outras qualidades humanas, é ainda pelo coração que o homem se define que o
homem vale e é julgado; para usar a categoria de um provérbio africano: "o
coração do homem é o seu rei".
Nesta
base, para Senghor, o existencialismo
africano está ligado ao movimento cultural de resgate/construção da identidade
negra, buscando desvelar a alma negra cuja característica essencial é a emoção,
conforme sublinha, "A emoção é negra, assim como a razão é
helênica“
A emoção, como Senghor a define, é o que
possibilita o elevar-se a um estágio superior de consciência. A emotividade é o
elemento essencial e constitutivo do negro.
a razão negra se distingue da razão branca por que ela
percorre as artérias das coisas para se 'alojar no coração vivo do real'. Por isso afirma que a razão européia é analítica por utilização e a razão
negra, intuitiva por participação'
A partir dela Senghor constrói uma metafísica entre o eu
e o outro. Trata a religião e demais elementos da cultura negra e
particularmente o estilo negro-africano como fatos ligados a imagem e o ritmo.
Com relação o pensar e o existir de
Descartes que simboliza o homem em comunhão com a sua idéia (razão), Senghor
pensando no campo sensorial do homem negro-africano afirma que o negro não
vê o objeto, mas o sente, ele precisamente quer fazer entender que a partir
do outro ele se identifica, ele se conhece. “Eu sinto o Outro, eu danço o
Outro, então eu sou.” É unânime nos pensadores africanos o sentimento de
que a dança é expressão do homem com relação ao seu existir no ambiente que o
cerca, portanto ela é um ato da cultura. Dançar é recriar, e ela nasce do
compasso social. É por isso que ela é o melhor modo de conhecimento."
Quanto à razão negra e à branca, Senghor destaca que o negro é um homem da
natureza, vivendo tradicionalmente da terra e pela terra, no cosmos e pelo
cosmos.
O Prof. Ocuni Cá ( 2008) na sua abordagem sobre a prática
cultural e o processo de ensino-aprendizagem (educação pré-colonial 1471) fala
do desse existir negro a partir da sua memória
muscular, ou seja, a dança. Através desta memória que os dançarinos
trasmutam séculos, anos luz que separam a situação vigente da respectiva
origem. Segundo Ocuni Cá, esta memória exercida nas festas provocam a
mobilização geral do grupo que segue as regras prescritas.
“ Os ritos e as regras que regem uma
esta que nem sempe é sagrado, mas
há aqueles que são sagrados, estes não permitem a realização
inescrupolosa dos ritos, pois neles os homens atingem o mundo ser”.
(Ocuni Cá, 2008)
Portanto,
a ponte cultural e étnica entre a África e as Américas, mais precisamente o
Brasil, já há muito que estava construída, mas precisava ser posta ao serviço
do intercâmbio cultural, religioso, e lingüístico. Este marco, no meu entendimento
está sendo evidenciado no governo do Presidente Lula. E ele foi registrado no
dia 25 de maio, o dia da África, com o lançamento do selo comemorativo da
Capoeira do Brasil, uma das vivas expressões culturais que mostra o Brasil e a
África se interagindo constantemente, na dança e no gingado, ou seja, o jeito
de ser brasileiro contaminado por esta expressão cultural originariamente
africana.
Na abertura dos preparativos do Festival Mundial de
Artes Negras 2009 (FESMAN) em Salvador, a maior cidade africana na diáspora,
cuja égide terá lugar em Dakar-Senegal, a cidade cultural da África Ocidental
de 1 a 14
de dezembro de 2009, foram apresentadas manifestações culturais que sem sombra
de dúvida deixaram bem visíveis esses encontros e reencontros marcados no
canto, na dança reverenciando os ancestrais e pedindo caminho (passagem) para a
luta e sobrevivência do dia a dia. Estes são os legados que o Presidente Luiz
Inácio da Silva fez questão de salientar no seu discurso de saudação a esse
reencontro em Salvador anunciando o refluxo do aprendizado do Brasil para as
terras africanas. Em certa altura o Presidente Lula salientou que o jeito do
ser Brasileiro (alegre, expansivo, lutador, e esperançoso na vitória mesmo em
momentos da dor e do sofrimento) deve-se a herança recebida dos ancestrais
africanos que um dia partiram da porta de “nunca
mais”,
rumo ao desconhecido. Mas mesmo assim levando com eles a esperança de que um
dia haverá o retorno.
Portanto, estas manifestações culturais de África
passada nas Américas é o fluxo dos ensinamentos levados as terras brasileiras
e, o retorno desses ensinamentos através das manifestações culturais
genuinamente afro-brasileiras que presenciamos nos meios de comunicações
televisionadas e transmitidas através de rádio é o refluxo de aprendizados que se
vivencia nas terras brasileiras que hoje a África orgulha-se de se sentir
também presente na América e no Brasil. Do Oiapoque ao Chuí onde quer que se
encontre nas terras brasileiras sentir-se-á a presença africana nos repiques do
tambor, no jeito de dançar e nas entoações dos cantos. Ainda que o ritmo seja
distante, mas a melodia levará ao auscultador atento a identificação dos laços
que deram origem a este grande país das Américas.
Foram nas noites tenebrosas que os africanos, como o
poeta, escritor e ensaísta angolano, Mário Pinto de Andrade, frisa no seu livro
de Antologia Temática dos Poetas da Língua Portuguesa “A Noite Grávida de
Punhais”, partiram de suas terras levados a força para o desconhecido. Mesmo
com todas as dores na alma entoaram cânticos de esperança e de coragem para
resistirem todas as temeridades que hoje faz a África se sentir presente nas
Américas. Cânticos esses, entoados nas plantações de algodão na América do
Norte que hoje faz parte dos repertórios das músicas clássicas dos Estados
Unidos - o Jazz e o Blues. De igual
forma esses cânticos foram entoados nas plantações de canas de açúcar no
nordeste brasileiro, nas minerações do centro sul e no oeste do país, nas
plantações de cafés de Minas Gerais e do vale de Paraíba em São Paulo e, também, nas
boiadas das regiões do semi árido baiano, do serrado e do pantanal
mato-grossense. Enfim, não se pode sentir o Brasil sem a presença africana.
O
Brasil é o país que tem quase 47% da sua população de origem afro-descendentes
que cultivam as suas manifestações culturais e afro-religiosas na forma que
receberam e aprenderam de seus ancestrais africanos. Esses legados estão
marcadamente representados na musicalidade, na culinária e no jeito de ser. Por
isso posso reafirmar que entre o Brasil e a África não se trata de refazer as
relações culturais, mas de consolidar o que já foi construído entre os povos
destas duas nações para o fortalecimento das nossas raízes em comum e o resgate
da nossa história.
O
convergir de aprendizados está no contato entre o Brasil e a África marcado
pelas migrações culturais, econômicas e financeiras. Quantos africanos hoje
vivem, ainda que temporariamente, no Brasil como estudantes e pesquisadores
universitários. Quantos brasileiros vivem na áfrica colaborando na área da
educação (ensino e pesquisa), em missões diplomáticas e empresariais ou em
viagens de turismo em busca seus passados históricos. Quantos Centros de
Estudos Africanos foram fundados no Brasil em diversos Estados
da Federação, nomeadamente, na Bahia, no Rio de janeiro, em São Paulo etc. que
tratam de reencontro de legados entre os dois povos. Ainda hoje na Nigéria e no
Benin celebram-se em certos dias do ano as manifestações culturais
afro-brasileiras levados pelos antigos escravos libertos e que tomaram destinos
para a áfrica em busca de suas raízes e de seus parentes.
A
comemoração do dia da África é mais que justo por representar a data da
consciência política sobre os destinos que impuseram este continente no passado
e a luta para a reversão deste passado em prol da liberdade e da prosperidade
do seu povo.
Após
a independência das colônias africanas nos finais dos anos 50 e início dos anos
60, até a data presente os termos de tratamento político e institucional entre os
países africanos e suas ex-metrópoles coloniais mudaram, mas os africanos
continuavam e ainda continuam vendo suas riquezas naturais e humanas sendo
espoliadas pela forma mais sutil e moderna da economia dominada pelos países
mais desenvolvidos, ou seja, o Comércio Internacional.
No
dia 25 de maio de 1963, 32 chefes de Estado africanos em reunião na capital da
Etiópia criaram a OUA (Organização da Unidade Africana), hoje transformada em União Africana.
Os objetivos principais dessa reunião era fundar uma
organização que congregasse as nações africanas para envidarem esforços pela
descolonização completa do continente e também lutarem contra a mais nova forma
de colonização que os países emancipados poderiam ser submetidos. Apesar de
suas independências políticas estavam ainda muito distantes para a
concretização da independência econômica, por isso exortava-se lutar pela
descolonização completa do continente.
Passados
46 anos da emancipação política, a África ainda luta para superar os obstáculos
políticos e econômicos que a herança do passado a impôs. O problema que a África
hoje enfrenta vem de desencontro de culturas do passado sabidamente explorado
pelo colonialismo – a divisão do seu povo para melhor governar seus destinos e
suas nações.
Finalizando,
resta apenas perante os fatos mencionados dizer que, assim como ontem jovens
idealistas se transformaram em revolucionários para mudar o curso de história
que até então era vista como impossível aos olhos dos colonizadores. Desta
forma apela-se para a geração dos mais jovens que representa a África onde quer
que esteja que se transforme em desbravador de limites fazendo do impossível
tornar-se possível, transformando-se em mensageiro de paz a fim de colher o que
é do bom nas terras distantes e trazer consigo a fim de se tornar timoneiro que
levará o barco do desenvolvimento deste continente para o porto seguro.
Aos
jovens africanos, pioneiros de ontem e desbravadores do saber de hoje só resta à
certeza de que a África é um assunto de todos nós, brasileiros e africanos, por
isso temos que ter a coragem de pôr o dedo na ferida para podermos ter a noção de
que alguma coisa precisa ser feita. Não é necessário recorrermos à força das
armas para exigir mudanças. Não é necessário recorrermos ao passado para
atribuir culpa a quem quer que seja. É necessário, sim, arregaçar as mangas
para a reconstrução da África, física, ideológica e economicamente. Cada um ao
seu modo, os ferreiros com seus alforjes, os camponeses com suas enxadas e
arados, os carpinteiros com suas serras e plainas, os pedreiros com seus prumos
e compassos e os intelectuais com as suas idéias. A África conta com cada um
dos seus profissionais e quadros na sua edificação como potência cultural,
social e econômica.
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